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UE designa Guarda Revolucionária iraniana como organização terrorista e anuncia sanções
A União Europeia classificou esta quinta-feira a Guarda Revolucionária do Irão como organização terrorista em resposta à repressão de manifestações recentes no país. Foram ainda anunciadas sanções contra autoridades do país.
A decisão requeria aprovação por unanimidade e foi tomada pelos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia numa reunião em Bruxelas.
"A repressão não pode ficar sem resposta. Os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE acabaram de dar o passo decisivo de designar a Guarda Revolucionária do Irão como organização terrorista", afimrou a chefe da diplomacia dos 27, Kaja Kallas.
Kallas defendeu ainda que "qualquer regime que mata milhares de pessoas do próprio povo está a trabalhar para a própria queda".
"Quem age como terrorista deve ser tratado como terrorista", afirmava a responsável pela diplomacia europeia ainda antes da decisão desta quinta-feira.
Países como os Estados Unidos e o Canadá já classificaram a Guarda Revolucionária como organização terrorista. “Isso colocá-los-á no mesmo nível da Al-Qaeda, do Hamas e do Daesh”, afirmou. “Quem age como terrorista deve ser tratado como terrorista.”
Para além de classificar a Guarda Revolucionária como organização terrorista, a União Europeia anunciou esta quinta-feira sanções contra 15 autoridades iranianas, esta quinta-feira, em resposta à
repressão violenta dos protestos no Irão.
No panorama europeu, a França, que inicialmente se opunha à medida por receio de retaliações contra cidadãos franceses detidos no Irão e missões diplomáticas, acabou por apoiar a medida.
Em Bruxelas, o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Jean-Noël Barrot, defendeu mais sanções e até a inclusão do Irão na lista de Estados que promovem o terrorismo.
“Não pode haver impunidade para os crimes cometidos”, afirmou, acrescentando que “a repressão da revolta pacífica do povo iraniano exige uma resposta clara”.
Em Bruxelas, o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Jean-Noël Barrot, defendeu mais sanções e até a inclusão do Irão na lista de Estados que promovem o terrorismo.
“Não pode haver impunidade para os crimes cometidos”, afirmou, acrescentando que “a repressão da revolta pacífica do povo iraniano exige uma resposta clara”.
Entre os visados das sanções estão líderes comandantes da Guarda Revolucionária, força central na repressão das manifestações, segundo a agência Associated Press (AP).
Ameaça de Trump
A decisão surge num momento de forte escalada de tensões internacionais, com o Irão sob pressão diplomática e militar crescente. A crise agravou-se após as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que admitiu a possibilidade de uma ação militar em resposta ao que descreveu como assassinatos de manifestantes pacíficos e possíveis execuções em massa.
Washington já deslocou para o Médio Oriente o superporta-aviões USS Abraham Lincoln e vários navios de guerra equipados com mísseis guiados.
Ainda não está claro se o presidente norte-americano decidirá usar a força.
Ativistas afirmam que pelo menos 6.373 pessoas morreram na repressão, números que continuam a ser contestados por Teerão. O Irão reagiu, ameaçando “lançar um ataque preventivo ou atingir alvos em todo o Médio Oriente”, incluindo bases militares norte-americanas e Israel.
As autoridades iranianas emitiram um alerta, esta quinta-feira, à navegação marítima, anunciando exercícios militares no Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de 20 por cento do petróleo mundial, levantando receios de perturbações no comércio global.Impacto político e económico
A Guarda Revolucionária controla vastos interesses económicos no Irão, o que significa que as sanções poderão levar ao congelamento de bens na Europa.
Em paralelo, a UE sancionou também seis entidades iranianas, incluindo organismos ligados à vigilância de conteúdos online, num país que vive sob um bloqueio de internet há três semanas, segundo a AP.A moeda oficial do Irão - o rial iraniano - atingiu um mínimo histórico, agravando a crise social que esteve na origem dos protestos.
A economia iraniana já se encontrava sob forte pressão devido a sanções internacionais acumuladas.
Criada após a Revolução Islâmica de 1979, a Guarda Revolucionária foi concebida para proteger o regime clerical xiita e acabou por ganhar um papel dominante durante a guerra entre o Irão e o Iraque, nos anos 1980.
Mais tarde, com autorização do líder supremo Ali Khamenei, expandiu-se para o setor privado, tornando-se um dos pilares económicos do país.
Segundo os dados de uma agência de notícias citada pela AP, a violência matou pelo menos 6.373 pessoas, incluindo 5.993 manifestantes, 113 crianças e 53 civis alheios aos protestos. Mais de 42.450 pessoas terão sido detidas.
O Governo iraniano apresentou números muito inferiores, apontando para 3.117 mortos, classificando parte das vítimas como “terroristas”.
A atual vaga de violência é descrita como a mais mortífera em décadas, evocando o caos que antecedeu a Revolução Islâmica de 1979.